terça-feira, 10 de Novembro de 2009

EM FRANKFURT




Há uns dias atrás fui a Frankfurt visitar a Feira Internacional do Livro. Depois de ter visto muitos japoneses, em frente à casa de Goethe, armados de máquinas fotográficas e mascarados, talvez com medo da gripe suína, dei com este tipos. Atirei 50 cêntimos para a caixinha, que ali se vê, no chão, a seus pés, e tirei-lhe uma fotografia, esta. Eles ficaram contentes. Eu também. Evoé!

domingo, 8 de Novembro de 2009

EXPLOSÃO CÂMBRICA

 
A terra dorme em seu braço de pedra,
uma aorta de silêncio

Porém, lá no  fundo do abissal oceano,  
o olho de cristal constrói-se ,
descobre-se     
no clinicar  do leite derramado

milagre-arco-de-luz 
privilégio do calcite 
electricidade rudimentar

Deus  ainda não existe
 no cântico
mas o mundo já é uma lâmpada de sangue
no cierestório do arco

Luís Costa



sábado, 7 de Novembro de 2009

DO SIGNO PALEOZÓICO



Nada mais tenho a dizer.

Deixai-me a sós
com os chilreios dos pássaros  
com os rios  
com  as ânforas quebradas,  de outrora.
Pois quero selar uma aliança
na cicatriz da realidade.

Trago um marulhar de céu nas veias.
Um assombro torcido no coração.
Um mar que me assoma aos músculos pelos pulmões.
Uma rosa furando-me a garganta.

A partir daqui, seguirei sozinho.
Serei a foice no maduro centeio
uma arqueologia
flutuando por sobre as casas lacustres
ou o olhar do tigre farto
por trás do denso arvoredo.

Peço-vos:  
deixai-me a sós, agora.

A partir daqui,
os velhos castanheiros serão a minha bússola
dos arbustos farei um arco maleável e feroz.

E assim,
no silêncio das encruzilhadas,
adularei os relinchos dos cavalos    
o sismo de seu galope paleozóico
a devastação dos nós.

Luís

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

DISTOCIA



Diónisos abre um buraco na espinha do Minotauro.
É por ali que se vê o fundo das vísceras do homem
que com um mar diurético no crânio se arrasta pela praia,
desértica, adiante.

Raízes enrolam-se-lhe aos tornozelos em busca de luz...
Um fluxo de sangue brota-lhe do fémur esquerdo,
infiltra-se  na areia...  
Os búzios refugiam-se nas crateras do silêncio.

Vindas de longe,
mulheres vestidas de negro aproximam-se
e erguendo os olhos  para Oeste incendeiam a crusta do horizonte
na esperança que o homem  se erga – e aprenda a ver.

Luís Costa 

domingo, 1 de Novembro de 2009

REVISTA DIGITAL CONEXÃO MARINGÁ : BONECA DE TRAPOS OU A POESIA DA ESCULTURA DANÇANTE

sábado, 31 de Outubro de 2009

NO TRIPLOV: SURREAL - HINOS DE RESISTÊNCIA PARA FUTUROS ARQUIVOS

 

PERNAS CHECAS
                                             Imagem de Miguel de Carvalho. 

LUÍS COSTA, Surreal-hinos de Resistência Para Futuros Arquivos: http://www.triplov.com/poesia/Luis-Costa/2009/Saramago.html 


SURREALISMO ACTUAL:  http://triplov.com/Surrealismo-atual/Pedreira/index.html

HOMENAGENS FREUDIANAS:  http://triplov.com/Venda_das_Raparigas/Mulher/Miguel-de-Carvalho/index.htm 


TOMA-ME NOITE SEM SOMBRA... :  

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

NO CÍRCULO DO CENTRO


Lembro-me de quando subíamos, lado a lado , a colina.
Chegados ao cimo,  junto à Figueira, atirávamos
as mochilas ao chão e inalávamos  do azul  a luz, 
ou do cinzento a chuva.
E a tarde, ferida pelos nós da aves, era uma caravela de
velas pandas, onde inventávamos travessias de mares
calmos, ou furiosos,  nunca de antes navegados
como em perigos e guerras esforçados,  mais do que prometia
 a força humana

Depois, esgotados, mas contentes
atracávamos  em seguros portos  de terras míticas e lendárias,
para lá da Taprobana – onde o grito toca o sol

Luís Costa